Publicado por Redação

Popularmente conhecida como chá de santo-daime, a ayahuasca é uma bebida produzida a partir da combinação do cipó-mariri com outras ervas, sendo as principais a chacrona e a chaliponga, também chamada de chagropanga.

Presente na humanidade há vários milênios, a bebida é frequentemente utilizada em alguns rituais religiosos por vários grupos sociais, principalmente por tribos indígenas nativas da Amazônia, sendo esta também parte de sua medicina tradicional.

Sua ingestão resulta em um efeito enteógeno, onde o individuo entra em um estado de transe e tem uma experiência que altera o funcionamento da sua consciência, aumentando consideravelmente a sua percepção e possibilita o acesso a vários níveis do subconsciente. Várias pessoas compara a experiência com uma meditação profunda.

Substância presente na Ayahuasca ajuda na formação de neurônios

Foto: depositphotos

Há um grande interesse cientifico sobre as propriedades presentes na bebida e em seus ingredientes para o uso medicinal , já que há vários relatos de que graças a elas, pessoas se curaram de problemas psicológicos, que vão desde a dependência de alguma substância, até a depressão.

Pesquisa

Em uma recente pesquisa feita em parceria entre o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor) e o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ICB-UFRJ), foi constatado que o cipó-mariri é rico em uma substância chamada harmina e que ela é capaz de auxiliar a regeneração dos neurônios. Essa descoberta pode ser de grande importância para o desenvolvimento de tratamentos para doenças neurológicas, como o Mal de Alzheimer, que até então, não possui cura.

Em estudos anteriores, foi comprovado que a ayahuasca possui propriedades que resultam em efeitos que combatem a ansiedade e a depressão.

Durante as experiências, os pesquisadores colocaram progenitores neurais, que são células capazes de se transformar em estruturas neurais humanas, expostas a harmina. Após apenas quatro dias, o composto havia aumentado em 71% a quantidade de células.

O resultado surpreendente instigou a equipe de pesquisadores a tentar descobrir como a substância age sobre os progenitores neurais.

“Nós usamos uma série de ferramentas bioquímicas e concluímos que ela inibe uma enzima chamada DYRK1A. E o interessante é que essa enzima está extremamente ativada ao mal de Alzheimer e à síndrome de Down”, contou Stevens Rehens, um dos pesquisadores do Idor. “Precisamos fazer muito mais estudos nesse sentido. Nós temos uma primeira evidência. É o primeiro tijolinho de um trabalho que busca evidenciar substâncias que, muitas vezes, são proibidas, mas têm um potencial terapêutico que precisa ser estudado”, pontuou Rehens.

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